terça-feira, 18 de setembro de 2018

#Filme 9

Gabriel e a Montanha

Antes de entrar para uma Universidade americana de prestígio, Gabriel Buchmann decide viajar o mundo por um ano, carregado de sonhos. Depois de dez meses na estrada, ele chega ao Quênia determinado a descobrir o continente africano. Até chegar ao topo do Monte Mulanje, seu último destino.


Lançamento: 2017-2018 (Brasil)
Direção: Fellipe Barbosa
Elenco: João Pedro Zappa, Caroline Abras, Alex Alembe
Duração: 2h 11min
Gênero: Drama / Aventura

#Texto 3

Como sempre observei, continuei olhando pela fresta da janela do 3° andar, a rua. 3:00 da manhã, molhada e brilhante.

Um brilho mágico que só acontece esse horário, no silêncio, com as luzes da cidade acesas e o pensamento reproduzindo sem parar o filme do seu dia, talvez semana, mês, ano... talvez toda a sua vida.

Realmente é bonito, mas por que acordado até essa hora?
Toda a cidade diurna dormindo, cada qual em seus pensamentos, mas dormindo.

Penso naqueles que se foram, penso no vazio do universo, penso na criança que vi brincando no parquinho da praça, penso no cachorro que latiu enquanto eu cruzava o portão da casa amarela, penso nas inúmeras estrelas que tem no céu, impossíveis de contar, quão longe estão, brilhantes e que sempre parecem piscar...
(Caetano P. Martins)


segunda-feira, 17 de setembro de 2018

#Texto 2

Andei e fui seguindo o rastro que os cachorros alvoroçados foram deixando pelo caminho.

Formavam desenhos irregulares no chão de areia úmida pelo mar, sendo redundando dizer salgado.
Não encontrei o local que haviam me dito, ja caminhei praticamente o dia todo em direção ao rochedo, porém ele não chegava perto, nem se afastava, nem aumentava e nem diminuía de tamanho.

Eram passos em vão. Me senti andando em uma esteira, mas com todas as sensações de pé na areia molhada, o vento no rosto, a brisa salgada...

Havia uma porta trancada no final, uma chave pendurada nela dizia:
"Abre"
Destranquei, entrei... escuro!

Voltei, avistava o mar, as ondas, o sorveteiro gritando por atenção. Entrei novamente e escuridão.
Nenhuma luz, voz, som, sensação, calor, frio, medo....

Ah, medo. Esse sim pairava. Um cheiro forte de medo... Medo talvez de encontrar algo desconhecido? Medo de adentrar em um local desconhecido?  Ou medo de ja conhecer o desconhecido, dizer olá e ficar?
(Caetano P. Martins)


terça-feira, 7 de março de 2017

Meu bairro

Hoje resolvi caminhar por essas ruas de paralelepípedo que eu frequentava há pouco. Digo pouco, pois estive andando nelas aos meus 16, 17, 18 anos...
Quem vê de longe, essas ruas atualmente podem parecer desertas, podem parecer que foram abandonadas, mas não é que foram mesmo?
Eram ruas úmidas pelas chuvas que caíam com frequência nessa cidadezinha, tinham uma cheiro amargo e um gosto ainda mais amargo.

Foram substituídas por vias expressas das grandes cidades, pelas motos cruzando os carros, os carros ultrapassando os ônibus, os ônibus parando de ponto em ponto.
Não digo que agora o gosto amargo se acabou, pelo contrário, acrescentou-se o azedo, o ácido, a queimadura depois de uma refeição quente... Mas também não posso deixar de dizer que o doce apareceu na ponta da língua, o gelado também veio nessa onde e achou um cantinho na boca.

Mas voltando para aquelas ruas cobertas de chuva... Apesar de tudo, era uma época muito boa, onde se passeava por elas, conversando com as pessoas que moravam por ali, sem se preocupar com o que vinha em seguida, não tão ao pé da letra, mas pode-se dizer assim.

Algumas coisas mudaram, o tempo passou... 7 anos para ser mais preciso, muitos moradores se mudaram, alguns permanecem e outros vem chegando para alugar e até mesmo comprar as casas.
Aos que alugam, que a estadia seja muito boa enquanto permanecerem aqui, e aos que comprarem, espero que sejamos ótimos vizinhos, que plantem flores, que as reguem, que troquemos experiências, que nos visitem.

Até um tempo atrás chegou uma visita em casa, pediu para entrar, ficou alguns dias, fiz de tudo para que ela ficasse, mas quis partir o mais rápido possível, disse que tinha assuntos pessoais para tratar. Não questionei. Recentemente senti uma presença familiar caminhando pelas ruas, perguntei quem era, respondeu que era uma velha conhecida e que veio para ficar... pois então que fique em minha casa o tempo que você quiser... Que seja para sempre.

Comprar uma casa nessa vizinhança significa apostar todas as fixas nela, planejar uma vida nesse bairro.

Esse bairro chamado: Caetano.

(Caetano P. Martins)

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

#Poesia 54

Sobre a vida

Estava aqui nos bastidores escrevendo sobre a vida
Citei Abujamra, citei Tadeu Jungle, citei Drummond, citei Antoine de Saint-Exupéry (autor do Pequeno Príncipe)...
O blog travou e apagou tudo.

Acho que foi a vida me mostrando que ela é passageira demais para me ater à esses detalhes.

Ela veio no meu ouvido e disse:
"- Cite você mesmo, escute a sua voz, entregue suas experiências... isso que é a vida, a sua vida"

(Caetano P. Martins)

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

#Poesia 53

Olhar perdido

Bonita poesia, ela disse,
Com aquela voz de menina bonita
Ouviu mas nem me escutou,
Nem notou as palavras direcionadas
Nem sentiu a brisa da manhã
Não viu o bilhete deixado na mesa,
Sentiu o beijo no rosto,
Ignorou o que era.

Parei ao seu lado,
Ela me olhou, não me viu,
Olhei para ela...
Vi toda sua alegria trancada,
Toda sua beleza escondida em esquivas,
Parece que fechou como um cadeado
De um baú antigo, castigado ao tempo...

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

#Poema 52

Cada passo gira em torno de uma ação;
açao, força que nos move.

Movimento esse que me orienta;
orientação para que? Estamos sempre girando.

Grito alto para que ela escute;
Escutar o grito de quem quer atenção a todo custo.

Agora, se voce quer amor de príncipe, paixão de conto de fadas, romance de novela e cenas de teatro...
Esqueça, não me procure, voe para tão longe quanto puder.

(Caetano P. Martins)